Segunda-feira, 8 de Outubro de 2001 10:46

Passamos a informar que o Açores Inter-Ilhas, segmentos A2 e A3 junto à Graciosa ontem, dia 7, de acordo com as informações preliminares disponíveis no momento sofreram uma avaria óptica, com corte total das fibras nas seguintes distâncias:

·         A2 (Graciosa/Terceira) corte a 5.3Km da Graciosa em todas as fibras, com excepção de uma com atenuação de 2 dB à mesma distância - profundidade aprox. de 1000m - tipo de cabo SA

·         A3 (Graciosa/S.Jorge) corte a 3.2 Km da Graciosa em todas as fibras - profundidade aprox. de 500m - tipo de cabo SA

Segundo informações da PT/Picoas o A3 começou a apresentar problemas intermitentes de transmissão pelas 17:40h UTC, ficando cortado pelas 17:50h UTC. O A2 cortou repentinamente pelas 20:13h UTC.

Os acontecimentos desenrolaram-se no seguinte cronograma:

·         . 17:50h UTC - corte do A3

·         . 20:13h UTC - corte do A2

·         . 20:55h UTC - chamada prevenção de cabos dos Açores

·         . 21:00h UTC - prevenção de cabos na Estação de Ponta Delgada

·         . 21:10h UTC - signatário é informado da situação

·         . 21:45h UTC - contactado por telemóvel supervisor PT/Graciosa (está em Lx)

·         . 21:50h UTC - contacto para protecção civil / Terceira, para via INMARSAT se estabelecer contacto com elemento local da PT;

·         . 22:45h UTC - estabelecido contacto por INMARSAT para a Graciosa com elemento local da PT. É-lhe solicitado que se desloque à Estação de Cabos submarinos da Praia da Graciosa.

·         Cabos;

·         . 00:10h UTC - elemento local da PT informa que craft não está a funcionar. Por indicação da PT/Picoas foram substituídos spares no ADM, mas a situação de alarme mantêm-se. É lhe solicitado que efectue OTDR sobre as fibras e temos as 1ª indicação das distâncias de anomalia óptica. Solicitamos que faça OTDR em todas as 24 fibras

·         . aprox. 02:00h - temos resultados totais em todas as fibras a confirmar os resultados inicias.

Entretanto, o Técnico Sr. Laranjo deslocou-se hoje de manhã para a Graciosa para realização de testes ópticos e eléctricos. No inicio da tarde o Técnico Sr. Carlos Fernandes irá deslocar-se para a Terceira com idêntico objectivo. Amanhã, o Sr. Laranjo irá deslocar-se da Graciosa a S.Jorge.

Como causas para esta ocorrência podemos apontar como possíveis devido a pesca e/ou destroços do NM Corvo afundado no ilheu da Praia, no final do ano passado.

Com pena registamos que a n/ prevenção não tenha sido activada logo de inicio, pelas 18h UTC, porque isso teria dado oportunidade para uma serie de contactos, que poderiam ter talvez evitado o corte da 2ª ligação óptica.

Por outro lado é de salientar os enormes problemas nos contactos para a Graciosa, só possíveis pelos meios locais da Protecção Civil. 


Segunda-feira, 8 de Outubro de 2001 14:58

De acordo com as informações acabadas de receber da Graciosa pelo Sr. Jorge Laranjo, a situação é:

MENOS MÁS NOTÍCIAS

A2 tem 2 fibras (1 e 12) ao que parece em condições de carregar tráfego. Está a ser coordenado com a PT a transferência do tráfego para estas fibras, o que irá acontecer a qualquer momento. A 1ª tentativa falhou. Vá ser trocado RX por TX. PT continua com trabalhos de montagem de feixes alternativos de emergência.

MÁS NOTÍCIAS

A2

Atenuação 10dB a 2Km da Estação

Corte total a 8Km fora as fibras 1 e 12

R e C = 0

A3

Atenuação 10dB a 2Km da Estação

Atenuação 22dB a 5.3Km da Estação

Corte total a 6.5Km da Estação

R e C =0

nota: cabo terrestre aprox. a 300metros.

O dano a 2Km é simultâneo nos dois cabos. A esta distância existe uma baixa com profundidade que chega a ser de 4 a 2 metros. O tipo de cabo é DA.

 Obs. valores sujeitos a confirmação de pormenor. 


Segunda-feira, 8 de Outubro de 2001 17:40

As últimas informações da Graciosa são:

. 16:15h UTC totalidade do tráfego restabelecido pelas fibras #2 e #12 do A2 (Terceira/Graciosa);

Relativamente a valores a situação é:

A2

Atenuação 10dB a 2Km da Estação em todas as fibras, com excepção das fibras #5 e #12, que têm 2 a 3 dB.

      Atenuação de 10dB a 7 Km, para todas com excepção das fibras #2 e #5

Corte total a 8Km fora as fibras #2, #5 e #12

Entre Graciosa/Terceira a fibra #2 tem atenuação de 35dB, a #5=20dB e #12=21dB. O valor normal é de 18dB.

R = over range e C = 0

A3

Atenuação 10dB a 2Km da Estação em as fibras

Atenuação 22dB a 5.3Km da Estação em todas as fibras

Corte total a 6.5Km da Estação

R = over range e C =0

O dano a 2Km (1700m da BMH) é simultâneo nos dois cabos. A profundidade nesta zona é de 20metros (rectifica a info anterior). O tipo de cabo é DA.

nota: a resistência do cabo vai ser determinada por outro equipamento, para além do TYNSLEY

Estamos também a fazer medidas do lado da Terceira, que serão fornecidas logo que disponíveis. Entretanto está também a verificar junto da PT, nos seus ADM todo o histórico de alarmes do anel Açores. Convém referir que a 20m de profundidade, a somar às causas já apontadas para as anomalias podemos acrescentar a possibilidade de ter sido ancora de alguma embarcação.

Dentro em pouco vamos baldear o tráfego da fibra #2 para a #5.

Dia 9, pelas 14:00h UTC, o mergulhador estará na Graciosa e dará inicio aos trabalhos de inspecção subaquática.


Segunda-feira, 8 de Outubro de 2001 20:08 

As últimas informações são:

·         Pelas 19:00h UTC o tráfego foi baldeado da fibra #2 para a #5 no A2, para melhorar a margem óptica de 3dB para 17dB. Basicamente o A2 está a operar aos valores nominais, estando o tráfego a operar na normalidade;

·         medidas ópticas da Terceira confirmar medidas da Graciosa, indicando o corte óptico de todas as fibras (- as #2,#5 e #12) a 8Km da Estação da Graciosa;

·         Amanhã no final da manhã teremos também medidas no A3 do lado de S.Jorge.

Em lugar da  reposição do tráfego ter sido conseguida pelas 16:15hUTC poderia ter sido realizado duas hora antes, mas tal não foi possível devido a ter sido entretanto detectado problemas nos encaminhamentos terrestres da PT na Graciosa (verificados na noite de dia 7, daí o problema), entre a Vila da Praia e S.Cruz.

De qualquer dos modos, o mais importante está de momento assegurado, em situação logistica complicada. A reposição não está com muita segurança, dada a situação do cabo, mas a inspecção submarina e o decorrer das horas com certeza poderão trazer novas informações.


Terça-feira, 9 de Outubro de 2001 10:43

As últimas informações são:

·         o tráfego está a correr com normalidade no A2, não tendo ocorrido durante a noite qualquer alarme de transmissão, ou ocorrência de BER nos ADMs da PT da Graciosa e Terceira (não S.Jorge que está cortado para Graciosa);

·         com medida na Graciosa o A2 tem uma resistência de R = 15 ohm. Tendo o land cable R = 6.6 ohms e R sea cable = 1.6 ohm/Km, o shunt fault é calculado a (15-6.6)/1.6 = 5.3 Km da BMH, o que está em linha com as medidas ópticas efectuadas;

·         os OTDR no A2 de hoje de manhã não registam variação relativamente às medidas de segunda-feira;

·         temos notícias que apontam para a ocorrência no passado Sábado e Domingo de uma forte ondulação marítima (temporal no dizer local) na Vila da Praia. Por suposição, poderá ter isto ter originado movimentação de destroços do NM Corvo ?

·         a PT verificou os seus registos de alarmes desde 1/Out, não havendo qualquer registo até ao passado Domingo, data em que se iniciaram os presentes problemas.


Quarta-feira, 10 de Outubro de 2001 14:53 

Foram realizadas medidas ópticas e eléctricas no A3 com inicio em S.Jorge.

Os resultados actualizados no A3 são:

·         OTDR de S.Jorge confirmam valores da Graciosa

·         medidas eléctricas de S.Jorge R = 172.5 ohm. Land cable R = 19 ohm => falha eléctrica a (172.5-19)/1.2 = 128 Km de S.Jorge = 6 Km BMH Graciosa

·         medida eléctrica da Graciosa R = 14 ohm. Land cable R = 6.6 ohm => falha eléctrica a (14-6.6)/1.2 = 6 Km da BMH Graciosa. NLOC no A3 confirmam estes valores.

·         Tynsley Monitor teste entre a S.Jorge e Graciosa indica uma corrente de fuga de 80mA (com S.Jorge a injectar 100mA), do que se conclui que electricamente e provavelmente mecanicamente não há corte absoluto no A3.

·         Tynsley Monitor teste entre Terceira  e Graciosa indica uma corrente de fuga de 88mA (com Terceira a injectar 100mA), do que se conclui que electricamente e provavelmente mecanicamente não há corte absoluto no A2.

Relativamente ao A2 há que rectificar os cálculos da falha eléctrica. Ao invés de 1.6 ohm/km (valor de fábrica) o cabo tem efectivamente 1.2 ohm/km (valor de aceitação, após instalação). Com esta rectificação a falha eléctrica do A2 determinada do lado da Graciosa está a 7Km da BMH Graciosa (não a 5Km como calculado anteriormente).

Em resumo,  conclusões depois de medidas ópticas e eléctricas quer de S.Jorge, Terceira e Graciosa:

A2

1) Atenuação 10dB a 2Km da Estação da Graciosa

      2) Atenuação de 15dB com inicio aos 5.5 Km da Estação da Graciosa

      3) Atenuação de > 10dB a 7 Km da Estação da Graciosa

4) Corte total a 8Km fora as fibras #2, #5 e #12 que têm continuidade ponto-a-ponto

      5) Avaria eléctrica a 7 Km da BMH da Graciosa (land cable Graciosa = 300m)

6 ) Portanto as informações disponíveis indicam que o  A2 está danificado aproximadamente entre as posições RPL 1.7 km (cabo DA) e 8 Km da BMH Graciosa (cabo SA), entre as profundidades 25 metros e 1000m metros

A3

7) Atenuação 10dB a 2Km da Estação Graciosa em todas as fibras

8) Atenuação de 15dB com inicio aos 3.5 Km da Estação da Graciosa

9) Atenuação >20dB a 5.7Km da Estação em todas as fibras

10) Corte total a 6.5Km da Estação Graciosa em todas as fibras

      11) Avaria eléctrica a 6 Km da BMH da Graciosa (land cable Graciosa = 300m)

      12) Tynsley Monitor indica que há continuidade eléctrica e provavelmente mecânica no A3

13) Portanto as informações disponíveis indicam que o A3 está danificado aproximadamente entre as posições RPL 1.7 km (cabo SA) e 6.5Km da BMH Graciosa (cabo SA), entre as profundidades 25 metros e 680 metros

O tráfego para a Graciosa está encaminhado no A2 (fibras #5 e #12) desde as 16:15h UTC de 8/Out, enquanto o A3 está fora de serviço. Entretanto a PTC colocou desde o meio da manhã de dia 9 em funcionamento feixes entre a Graciosa e Terceira, estando já baldeado para este meio alternativo parte do tráfego.

Por outro lado está a decorrer desde o inicio do dia de hoje a inspecção submarina, que prossegue. Os primeiros dados apontam para que na profundidade entre os 20 a 30 metros de profundidade junto do A3 para a existência de muitos destroços do NM Corvo e da sua carga. Até ao momento não tenho informações de ter sido ainda encontrado nenhum dano mecânico no cabo, ou destroços em cima do cabo A3. 


 Quarta-feira, 10 de Outubro de 2001 15:45 

As últimas informações da inspecção marítima no A3 (correcção: não A2) na Graciosa indicam que à profundidade de 19 a 20 metros - cabo DA - foi encontrado um dano mecânico no cabo. Este dano é muito provavelmente a explicação para a atenuação de 10dB a 1700m da BMH.

O cabo está quinado, muito provavelmente devido a uma chapa metálica do NM Corvo que está mesmo junto a ele. Foram encontrados muitos destroços do navio mesmo junto ao cabo, que, naquele local, tem em algumas zonas marcas evidentes de contactos mecânicos com materiais estranhos. Tudo isto está a ser filmado pela equipa de mergulhadores.

Por outro lado obtemos a informação de que a pesca com palangre só está autorizada a distâncias superiores a 3 milhas da costa (o que não quer dizer que não exista - digo eu). Também a autoridade marítima local (Graciosa) informou que de acordo com as suas investigações no passado Sábado e Domingo não ocorreu pesca na zona, também devido à forte ondulação ocorrida.


Quarta-feira, 10 de Outubro de 2001 18:23 

No A2 a uma profundidade de 22 metros foram encontradas duas chapas laterais de contentores em cima do cabo DA.  Pela descrição localmente efectuada julgamos estar situado na zona onde existe a 1ª atenuação de 10dB (aprox. 1700 m BMH).

Devido ao tamanho e peso dos destroços não é possível, com os meios existentes, deslocar estes objectos para inspeccionar o cabo naquela zona. A inspecção marítima terminou por hoje, retomando os trabalhos amanhã de manhã.


Quinta-feira, 11 de Outubro de 2001 10:35 

Anexo um memorando elaborado pelo n/ Técnico Sr. Jorge Laranjo e pelos dois mergulhadores que conduzem as operações. Anexo igualmente em formato word OTDR dos segmentos A2 e A3, com origem na Graciosa. Esta informação já tinha remetido por fax para Lx na manhã de dia 10. 

Por outro lado, é importante, ainda que numa base da previsão, saber quais os meios humanos e materiais - internos e externos - que o COAC irá despender com a reparação, para que se possa tratar de todos os aspectos logísticos e outros envolvidos.

Relativamente a uma inspecção submarina a maiores profundidades lembro que na Horta está estacionado um submarino cientifico, que pode ir a 400 ou 500m de profundidade. Se acharem útil posso estabelecer contactos para saber pormenores técnicos, meios, custos, tempos de mobilização, etc.

Estamos ainda em, contactos com a UA para determinar eventuais eventos sismicos.

Memorando

O A3:

A cerca de 150m de distância da união DA/ SA, para o lado da praia, a 19m de profundidade, o cabo passa da areia para a subida da cordilheira, até aos 15m de profundidade, em suspensão e nota-se uma tensão muito elevada. Ao longo desta subida há uma grande quantidade de destroços de tamanhos muito consideráveis, partes de contentores e outras chapas metálicas diversas.

Na união do DA/SA o cabo de aço DA está aberto e nota-se uma tensão muito elevada.

A 21m de profundidade e a cerca de 100m da DA/SA para o lado da Praia há uma moça funda no cabo com cerca de 5cm de comprimento, ao lado está, o que se julga ser uma tampa de uma caleira, em réguas de aço inox, que segundo o mergulhador, é utilizado como estrado junto á borda do barco, esta peça é muito pesada..

A partir dos 21m, até aos 31m de profundidade, cerca de 100m a seguir ao DA/SA, para o lado do mar, não há destroços.

Este cabo falta tirar imagens de alguns pontos acima descritos.

 O A2:

Foram encontrados muitos destroços junto ao cabo e duas partes de contentores muito pesadas, sobre ele, a 23m de profundidade e a cerca de 350m do DA/SA para o lado da Praia.

Na zona observada o cabo está folgado, sem qualquer tensão.

Este cabo falta concluir a observação e tirar imagens.

Durante estes dois dias fez-se sentir uma corrente muito forte no sentido Soeste/Nordeste.

Os destroços de grande dimensão e peso estão nas zonas mais profundas, onde as correntes são muito fortes.

Existem muitos destroços para oeste do A3, os quais passaram sobre os dois cabos, alguns de grandes dimensões, cerca de 4m de comprimento, e muito pesados.

No fim de semana passado houve mau tempo com ondas de 4m junto ao porto.

 Quinta-feira, 11 de Outubro de 2001 13:11

Foi encontrado em cima do A2 um contentor (ou melhor o que resta dele, o fundo + os pilares) a 1327m da BMH posição 39 03 004 N;27 57 357 W a 24 m de profundidade. É visível 50cm de cabo por baixo do contentor, e que está mecanicamente muito afectado. Tem mesmo uma dobra a 90º. O esboço seguinte do Sr. Laranjo documenta o evento.

Jorge Laranjo


Entretanto as partes de contentor encontradas ontem estão a 1220m da BMH na posição 39 03 018 N; 27 57 412W.

Já temos um GPS no local (emprestado).

Relativamente ao dito submarino, as informações disponíveis são:

. classe de segurança A1 (500metros)

. 1 piloto + 2 tripulantes (max)

. não necessita de barco de apoio especial para operar. Basta um barco de borraça por exemplo

. para operações de maior envergadura necessita no porto de apoio às operações do seu contentor de spares, etc

. navega por meios próprios entre ilhas em caso de bom tempo. Em mau tempo terá de ser transportado por via marítima

. 10 toneladas de peso

. tem material fotográfico e video

. tem base na Horta

. pertence à Fundação Rebikoff Niggeler, contacto Sr. Joachim Jacobs (TM 91 9858539)

. preços só depois de ver com detalhe as operações a efectuar

Entretanto, convém referir que a última inspecção submarina no A2 e A3 tem data de 2001/Março/19, ou seja quase 4 meses após o afundamento do NM Corvo, que nesta data não há registo de destroços do navio em cima do cabo, ou sequer nas suas proximidades. Conforme informações anteriores (Email de 20/Set), também é de registar que na 1ª semana de Setembro foi detectado uma falha eléctrica no A2 a 4.5 Km da Graciosa. Provavelmente era o pronuncio dos problemas agora existentes. Mas do ponto de vista óptico os OTDR nada registaram. Também na mesma semana foram elaborados testes no A3 mas não foi detectado nenhuma anomalia óptica ou eléctrica.

O tráfego no A2 continua a ser encaminhado com "normalidade", não havendo registo de BER e/ou alarmes. 


 

A inspecção submarina realizada ao largo da Graciosa por dois mergulhadores profissionais com a colaboração do Sr. Jorge Laranjo decorreu durante os dias 10 a 14 de Outubro.

Dia 9, ao final da tarde, logo após a chegada à Graciosa ainda foi realizado um mergulho a 1700 m da costa, mas os cabos não foram encontrados, se bem que foram encontrados destroços do NM Corvo. A embracação de apoio era a remos de pouco mais de 3 metros.

Assim a inspecção propriamente dita deu-se então inicio na quarta-feira (dia 10). Foi utilizado agora uma outra pequena embarcação local de pouco mais de 4 metros de comprido, equipada com motor de 25cv, que ao carregar os dois mergulhadores, os equipamentos de mergulho e o Sr. Laranjo ficava com pouco mais de 1 palmo de borda livre da linha de água. Na quinta-feira (dia 11) foi pedido por empréstimo um GPS, de modo a podermos registar as posições de mergulho. Todavia esta operação não é nada fácil, porquanto o GPS está no barco, não no mergulhador. Sem referência no fundo do mar é difícil saber de facto a posição a onde se está. As condições de mar por vezes, para não dizer sempre, foram bastante agrestes, agravando ainda mais as condições da embarcação, que não poucas as vezes meteu água dentro.

Os mergulhos foram realizados a profundidades entre os 20 a 30 metros, o que implica o cumprimento de condições de segurança dos mergulhadores mais restritas (tempos de mergulho, espaçamento entre mergulhos, etc).

No A2 foram inspeccionados cerca de 200 metros. No A3 foram inspeccionados 600 metros. Foi ainda realizada uma passagem a 200 metros de distancia do A3 para Sul, numa direcção paralela ao A3. Idêntica passagem foi realizada a 400 metros. Foi ainda realizado um mergulho na Fonte da Areia (a sul da BMH) e na Baia da Lagoa (a norte da BMH). A file seguinte regista as posições de observação e alguns comentários.

É de salientar que a corrente na zona tem a direcção NW/SE, sendo o sentido predominante NW/SE. O sentido contrário é menos forte. O sentido predominante é agravado também por ser do quadrante Norte os vendo dominantes. É justamente esta corrente predominante que está a fazer deslocar os destroços do NM Corvo na direcção dos cabos, afectando em 1ª lugar o A2.

Julgamos que esta forte corrente marítima - aliás constatada durante a inspecção - irá dificultar em muito as operações do CS Leon Thevenin.

Um sublinhado muito especial para o desempenho do Sr. Laranjo, o qual capitaneou a pequena embarcação, bem como fazia a navegação por GPS na zona. Foi um trabalho muito útil, sem o qual não havia possibilidade de cartografar as posições e guiar os mergulhos.

Os videos foram remetidos ontem dia 15 por DHL para Lisboa (CP 598 5344 525). Em anexo segue algumas fotos.

João Mota Vieira

jmvieira@marconi.pt

Centro Operacional dos Açores

Estação de Cabos Submarinos de S.Miguel

telef. 296 305601 ext. 52601

fax. 296 305606 ext. 52606


Algumas Fotos